
O juiz Grazón ordenou a abertura das valas comuns da Guerra Civil espanhola, inclusive aquela onde estaria enterrado o poeta Federico Garcia Lorca.O tribunal se opõe e o caso chega a Suprema Corte.
A abertura de diversas valas comuns , inclusive aquela onde está enterrado o poeta F.Garcia Lorca, foi ordenada pelo juiz espanhol Baltasar Garzón, que foi declarado , na quinta-feira, dia 16 de outubro, competente para proceder às investigações acerca das dezenas de milhares de desaparecidos da Guerra Civil espanhola (1936- 1939) e a ditadura franquista( 1939- 1975).
O número de casos de desaparecidos investigados (entre 17 de julho de 1936 e dezembro de 1951 ) é de 114, 166.Segundo o texto da decisão obtido pela AFP , o juiz Garzon, decidiu autorizar a exumação dos restos mortais do professor Dioscoro Galindo, executado na manhã de 19 de agosto de 1936, próximo a Granada, ao mesmo tempo em que Lorca era executado pelos franquistas.
São dezenove locais de valas comuns que estão implicados no relatório do processo de 68 páginas do magistrado da Audiência Nacional, a maior autoridade jurídica da Espanha.
A família de Lorca sempre se opôs à abertura dessas valas que guardam, inclusive, os restos do bombeiro Francisco Galadi e do toureiro anarquista Joaquim Arcollas. Porém, a família Lorca declarou em setembro,no jornal espanhol el pais que, afinal, não se oporia mais à abertura das valas: ‘’não impediremos. Mesmo não querendo que sejam abertas, respeitamos a vontade das outras partes envolvidas’’, declarou Laura Garica Lorca, sobrinha do poeta e porta-voz da família .
A neta do professor , Nieves Galindo, quer verificar o estado dos restos mortais de seu avô , e fez uma petição nesse sentido junto ao juiz Garzon, com o apoio de uma associação de famílias de vitimas do franquismo , a ARMH( associação pela recuperação da memória histórica).
‘’À memória de Federico Garcia Lorca e de todas as vitimas da Guerra Civil’’. Sob a lápide posta em meio às oliveiras , entre os vilarejos de Alfacar e Viznar, perto de Granada, estão os restos mortais de Lorca. Em todo caso, é o lugar geralmente aceito de sua sepultura , depois da publicação , em 1971, da biografia mais completa consagrada à Lorca , de Ian Gibson, historiador madrileno de origem irlandesa.
UM CONTEXTO DE CRIMES CONTRA A HUMANIDADE.
O juiz Garzon justifica juridicamente sua decisão indicando que as desaparições da época constituem ‘’crime de detenção ilegal permanente’’,portanto não prescritível sem esclarecimentos sobre o lugar onde se encontram as vitimas, conforme um artigo do código penal espanhol em vigor na época dos fatos. Esse crime se inscreve ‘’num contexto de crimes contra a humanidade’’, sublinha o juiz Garzon.
A decisão do juiz é uma resposta à petição, de 13 associaçoes de famílias de vitimas, para que a justiça investigue a desaparição de parentes durante a guerra civil e a ditadura de Franco, localizando os corpos e esclarecendo as circunstancias de sua morte. Após ter aceito estudar as petições das varias associações , implicando aí 1200 casos documentados de desaparições, o juiz pediu, no começo de setembro, informações à diversas instituições espanholas : ministérios, prefeituras, Igreja católica e ao mausoléu ‘’valle de los caídos ‘’, onde se encontra o corpo do ditador bem como o de milhares de vitimas da guerra civil.
Trata-se , portanto, do primeiro passo dado pela justiça espanhola afim de investigar os anos de ditadura franquista.Até agora, uma lei de anistia, votada em 1977 , impediu toda iniciativa nesse sentido.’’O mais provável é que o tribunal apele da decisão do juiz Garzon, afirmou uma fonte à AFP.
Com efeito, o ministério publico espanhol, na segunda-feira, dia 20 de outubro, apelou à suprema corte para que se opusesse à abertura de inquérito. Os promotores públicos afirmam que , segundo a lei de 1977, há prescrição para todos os crimes cometidos durante a guerra espanhola. A decisão da suprema corte não sairá antes de 2 meses, porem, nesse intervalo, as medidas tomadas pelo juiz espanhol para localizar, identificar e exumar os restos mortais das vitimas do franquismo, continuarão.
A guerra civil espanhola fez mais de 500.000 vitimas e a ditadura que se seguiu, executou cerca de 50.000 simpatizantes da esquerda depois de julgamentos sumários em tribunais de exceção.
A abertura de diversas valas comuns , inclusive aquela onde está enterrado o poeta F.Garcia Lorca, foi ordenada pelo juiz espanhol Baltasar Garzón, que foi declarado , na quinta-feira, dia 16 de outubro, competente para proceder às investigações acerca das dezenas de milhares de desaparecidos da Guerra Civil espanhola (1936- 1939) e a ditadura franquista( 1939- 1975).
O número de casos de desaparecidos investigados (entre 17 de julho de 1936 e dezembro de 1951 ) é de 114, 166.Segundo o texto da decisão obtido pela AFP , o juiz Garzon, decidiu autorizar a exumação dos restos mortais do professor Dioscoro Galindo, executado na manhã de 19 de agosto de 1936, próximo a Granada, ao mesmo tempo em que Lorca era executado pelos franquistas.
São dezenove locais de valas comuns que estão implicados no relatório do processo de 68 páginas do magistrado da Audiência Nacional, a maior autoridade jurídica da Espanha.
A família de Lorca sempre se opôs à abertura dessas valas que guardam, inclusive, os restos do bombeiro Francisco Galadi e do toureiro anarquista Joaquim Arcollas. Porém, a família Lorca declarou em setembro,no jornal espanhol el pais que, afinal, não se oporia mais à abertura das valas: ‘’não impediremos. Mesmo não querendo que sejam abertas, respeitamos a vontade das outras partes envolvidas’’, declarou Laura Garica Lorca, sobrinha do poeta e porta-voz da família .
A neta do professor , Nieves Galindo, quer verificar o estado dos restos mortais de seu avô , e fez uma petição nesse sentido junto ao juiz Garzon, com o apoio de uma associação de famílias de vitimas do franquismo , a ARMH( associação pela recuperação da memória histórica).
‘’À memória de Federico Garcia Lorca e de todas as vitimas da Guerra Civil’’. Sob a lápide posta em meio às oliveiras , entre os vilarejos de Alfacar e Viznar, perto de Granada, estão os restos mortais de Lorca. Em todo caso, é o lugar geralmente aceito de sua sepultura , depois da publicação , em 1971, da biografia mais completa consagrada à Lorca , de Ian Gibson, historiador madrileno de origem irlandesa.
UM CONTEXTO DE CRIMES CONTRA A HUMANIDADE.
O juiz Garzon justifica juridicamente sua decisão indicando que as desaparições da época constituem ‘’crime de detenção ilegal permanente’’,portanto não prescritível sem esclarecimentos sobre o lugar onde se encontram as vitimas, conforme um artigo do código penal espanhol em vigor na época dos fatos. Esse crime se inscreve ‘’num contexto de crimes contra a humanidade’’, sublinha o juiz Garzon.
A decisão do juiz é uma resposta à petição, de 13 associaçoes de famílias de vitimas, para que a justiça investigue a desaparição de parentes durante a guerra civil e a ditadura de Franco, localizando os corpos e esclarecendo as circunstancias de sua morte. Após ter aceito estudar as petições das varias associações , implicando aí 1200 casos documentados de desaparições, o juiz pediu, no começo de setembro, informações à diversas instituições espanholas : ministérios, prefeituras, Igreja católica e ao mausoléu ‘’valle de los caídos ‘’, onde se encontra o corpo do ditador bem como o de milhares de vitimas da guerra civil.
Trata-se , portanto, do primeiro passo dado pela justiça espanhola afim de investigar os anos de ditadura franquista.Até agora, uma lei de anistia, votada em 1977 , impediu toda iniciativa nesse sentido.’’O mais provável é que o tribunal apele da decisão do juiz Garzon, afirmou uma fonte à AFP.
Com efeito, o ministério publico espanhol, na segunda-feira, dia 20 de outubro, apelou à suprema corte para que se opusesse à abertura de inquérito. Os promotores públicos afirmam que , segundo a lei de 1977, há prescrição para todos os crimes cometidos durante a guerra espanhola. A decisão da suprema corte não sairá antes de 2 meses, porem, nesse intervalo, as medidas tomadas pelo juiz espanhol para localizar, identificar e exumar os restos mortais das vitimas do franquismo, continuarão.
A guerra civil espanhola fez mais de 500.000 vitimas e a ditadura que se seguiu, executou cerca de 50.000 simpatizantes da esquerda depois de julgamentos sumários em tribunais de exceção.
http://www.tlaxcala.es/pp.asp?lg=fr&reference=6113

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