segunda-feira, 13 de outubro de 2008

MOBILIZAÇAO PELA LIBERDADE DA HISTÓRIA

Nao, nao é um movimento partidario, nem uma manifestaçao de orgulho. Trata-se apenas disso:os historiadores nao querem ser ''instrumentalizados'' pelo ESTADO, pelo governo ou pela justiça , que se passam por entendedores , comprometidos com o bom funcionamento dos negocios historicos .Eles( os historiadores) nao querem mais assistir impotentes à proliferaçao de leis criminalizando o passado.Eles nao aceitam senao a lei Gayssot(1990), q nao foi feita para prejudicar mas para deter o negacionismo, o q acabou atingindo-os ao instituir uma ''concorrencia de relatos'' de vitimas , seus descendentes ou herdeiros espirituais( genocidio armenio, escravismo, colonizaçao e , no futuro, a crer nos projetos parlamentares prospostos, leis sobre o genocidio ucraniano de 1932 e sobre o genocidio na Vendeia em 1793).

A lei Gayssot criou um ''crime de contestaçao''(art.9). O q é vago, sinonimo de discussao, contradiçao, controversias, objeçao, oposiçao, protesto , bem como negaçao, foi isso q instaurou um grave precedente. Nao se espera que o Parlamento legisle acerca da verdade historica. ISSO é funçao do historiador , de procurar a verdade historica, ''sem pretender possui-la'' como lembra Jacques Julliard. A lei Gayssot foi um texto de circunstancia mas suas consequancias vao mais alem, o q f.Chandernagor sublinha resumindo-o assim: ''uma arma de dissuasao massiva para exterminar um pequeno grupo de imbecis''.

Eles ja lançaram um apelo nesse sentido ha dois anos sob o título ''LIBERDADE PARA A HISTORIA'' . Os mais reticentes entre eles( Henry Rousso e Annete Wieworka) acabam de juntar-se a eles). Mais ainda: o movimento está estabelecendo bases nos paises baixos, italia e na belgica com a associaçao ''PLETORA DE MEMORIA''. Pierre Nora, q sucedeu Rene Remond na direçao da associaçao , acaba de denunciar novamente essa tendencia q visa exigir dos historiadores q eles estabeleçam cientificamente uma aplicaçao juridica retroativa da noçao de crime contra a humanidade. Ao mesmo tempo, por ocasiao do encontro de historiadores em Blois , consagrado esse ano à Europa, a associaçao lança um novo apelo sob o titulo ''APPEL DE BLOIS'' :

'' preocupados com os riscos de uma moralizaçao retrospectiva da historia e com a censura intelectual , apelamos à mobilizaçao dos historiadores e à sabedoria dos politicos. A Historia nao deve ser escrava do presente nem deve ser escrita sob a sabatina dos relatos concorrentes . Num estado livre , ninguem tem autoridade politica de definir a verdade historica e de restringir a liberdade do historiador sob a ameaça de sançoes penais.

Aos historiadores pedimos q juntem suas forças em seus proprios paises , criando estruturas similares a nossa e , para o presente, q assinem individualmente esse apelo para colocar um ponto final no desvio das leis historicas.

Aos responsaveis politicos , pedimos q tomem consciencia de q, se devem manter a memoria coletiva , nao devem instituir , por lei e para o passado, VERDADES DE ESTADO cuja aplicaçao juridica pode acarretar consequencias para o oficio do historiador e para a liberdade intelectual em geral.
Na democracia , a liberdade para a Historia é a liberdade de todos.



originalmente postado por pierre assouline( de quem obtive permissao de traduzir e postar alguns dos seus artigos)em http://passouline.blog.lemonde.fr/.


1 comentários:

mistoff disse...

devidamente corrigido.